Mês das Mulheres: 4 livros para estudar o feminismo


No mês em que comemora-se a luta das mulheres, entenda um pouco mais sobre a força, a origem e história desse movimento que não tem nada de frágil.



Foi-se o tempo em que o Dia da Mulher (8 de março) era comemorado presenteando as homenageadas com uma rosa vermelha. Hoje a data é símbolo de resistência, de lugar de fala, de reconhecimento histórico, de luta de gênero, de liberdade sexual e de equidade profissional.

E, para celebrar o momento, nada melhor do que aprender um pouco mais sobre as raízes do feminismo, sobre a história do movimento que ganha mais adeptos e também mais inimigos. Precisamos refletir sobre nossas origens, presente e futuro para ficarmos mais fortes e não mais frágeis.

"A mística feminina", Betty Friedman - editora Rosa dos Tempos

Um clássico que fundou a segunda onda do feminismo, publicado originalmente em 1963. A obra investiga como foi construída e mantida a norma social que definia mulher a partir de uma existência frívola, consumista, devotada ao lar, ao marido e aos filhos, à qual estaria fadada. A partir de entrevistas, questionários e vasta bibliografia, Friedan identificou um sintoma social que denominou “problema sem nome”. Um vazio existencial que afetava mulheres heterossexuais estadunidenses, moradoras de subúrbios de classe média, que não podia ser suprido por um casamento perfeito, pelo alto padrão de vida ou por filhos e que elevou os índices de alcoolismo e transtornos mentais nos Estados Unidos após a Segunda Guerra.

Manipuladas pela sociedade de consumo, essas mulheres deixaram o ideal de comportamento libertário das sufragistas, em voga até os anos 1930, e passaram a incorporar um imaginário sobre o “feminino” projetado por homens brancos que haviam voltado da guerra fantasiando padrões de gênero sexistas. Aos homens, os provedores, era destinada a descoberta de mundos concretos e intelectuais. Às mulheres, as cuidadoras – mães e esposas donas de casa –, a interioridade oca do lar. A mística feminina é um livro essencial para compreender a história de opressão e libertação das mulheres, porque revela os mecanismos de controle de gênero, afirmando o que nem sempre é óbvio em uma sociedade machista: as mulheres são seres humanos complexos, cada uma com desejos particulares, e capazes de gerir sozinhas a própria vida.

“Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie - Companhia das Letras

Um livro curto que foi baseado do discurso da autora em uma conferência do TED. A leitura é rápida e fluida, mas não é nem um pouco rasa. O livro aborda o feminismo não apenas para as mulheres, mas para todos e é um excelente livro para a introdução ao movimento feminista.

O livro começa contando o primeiro contato da autora com o termo feminista e como isso foi colocada para ela de forma negativa e estereotipada. Durante seu discurso ela dá argumentos para provar que todos os pontos negativos sobre o feminismo não são reais e que é apenas a busca por direitos sociais e políticos iguais para mulheres e homens. No livro a autora diz: "O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos.”

“Mulheres, raça e classe”, de Angela Davis - editora Boitempo

Uma análise histórica do feminismo negro norte-americano e das movimentações políticas que aconteciam durante as décadas de 1960 e 1970 pela luta abolicionista nos Estados Unidos. Angela Davis, é professora universitária e filósofa marxista norte-americana, foi integrante do Partido Panteras Negras, e, desde a juventude, exerce sua militância pelos direitos políticos e civis. O livro relata o nascimento do movimento abolicionista, o surgimento do sufrágio e a luta pelos direitos femininos, tudo sob a lente da questão racial.

A extensão da obra confirma a dedicação como que as informações são expostas e sob uma abordagem crítica. Davis inicia o seu percurso histórico falando sobre o período escravagista, apresentando os impactos do colonialismo no continente americano, como elemento fundante das desigualdades e violências diversas praticadas contra a população negra.

"Feminismo em Comum – Para todas, todes e todos", Márcia Tiburi - Editora Rosa dos Tempos

Um manifesto sobre o feminismo e sua potência transformadora. Destrincha conceitos como patriarcado, o feminismo negro, feminismo como arma política, social e econômica de uma forma didática, porém direta e nada sutil. Citando grandes pensadores como Christine de Pizan, Judith Butler, Michael Focault, Emma Goldman, Achile Mbembe, Genevieve Fraise, a autora define o patriarcado como sendo um sistema profundamente enraizado na cultura e nas instituições, o qual o feminismo busca desconstruir. Com esse livro, Márcia nos convida a repensar essas estruturas e a levar o feminismo muito a sério, como luta social, muito além de modismos e discursos prontos. Através da reflexão e crítica ao movimento, em uma linguagem acessível tanto para iniciantes quanto para entendidos do assunto, a autora propõe um feminismo capaz de melhorar nosso modo de viver e de inventar a vida.


Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.