Éva Goicochea: a CEO referência no mundo das sextechs

Atualizado: 23 de fev.



Com um ar tranquilo, sorriso fácil e atenta à conversa, Éva Goicochea conversou comigo numa sexta-feira à noite. Ela basicamente foi meu "date" via Google Meet. Sucesso com seus produtos de sexual wellness para todos os gêneros, a empresária criou a Maude em 2018 e, desde então, galgou passos até se tornar uma referência no mundo das sextechs. Tudo reflexo de um árduo trabalho na concepção de produtos, pesquisa e, principalmente, o conhecimento de seu público, atraindo vários investidores, entre eles a Natura. Nascida e criada no Novo México (Estados Unidos), ela sempre viu que a região necessitava de informação e educação sexual, um sistema de saúde mais atento a esta dificuldade. Chegou a trabalhar nos bastidores da área da saúde, até que este assunto voltou à mente e, enfim, fundou uma empresa voltada para o bem-estar sexual.

Hoje, morando em Nova York, vive uma rotina em família com marido, pets e, mesmo com uma empresa para tocar, delimita os horários profissionais para manter uma harmonia entre carreira e vida pessoal. "Se um dos valores da minha empresa é levar o bem-estar para as pessoas, eu preciso seguir isso também. Senão seria muito falso da minha parte. Trabalho bastante sim, mas equilibro com os outros momentos da minha vida."

E trabalho ela tem bastante ao lado da co-diretora criativa e investidora, Dakota Johnson, que entrou para a Maude em 2020. "Nos conhecemos através de amigos e, desde então, ela leva o nome da Maude a muitos lugares. É como se também fosse a nossa embaixadora." De lugar em lugar ela está chegando lá: no último mês a marca iniciou o envio de seus produtos para 33 países. E agora em fevereiro foi uma das duas marcas escolhidas pela Sephora para a categoria recém-lançada, "Intimate Care". Infelizmente os produtos ainda não estão disponíveis no Brasil. Confira a conversa com Éva Goicochea:



Como é ser uma mulher com uma empresa que tem um investimento de 10 milhões de dólares? A Natura também é um dos investidores?

É uma jornada interessante ter levantado quatro rodadas de financiamento porque a escala muda muito rapidamente. Quando você acaba de começar, cada centavo faz a diferença e você sente que está implorando por dinheiro e para ser levada a sério. À medida que você escala e obtém sucesso, seu senso de onde correr riscos e sua confiança em levantar capital também crescem. Agora, sou mais protetora do meu tempo e com quem trabalho no lado do investimento para proteger minha equipe e nossa missão.

Minha investidora na Fable Investments (Natura), Paola Felipak, é uma potência. Ela é verdadeiramente um exemplo de graça, inteligência e força, tudo em uma pessoa. Sua visão do que Maude pode e deve ser nos impulsiona. A equipe é igualmente incrível e eles são visionários nos negócios enquanto são seres humanos gentis nos bastidores.


O Brasil já apareceu outras vezes na sua vida. Conte sobre a sua história com a atriz Sônia Braga.

Quando eu tinha 5 anos, eu estava no set do filme de Robert Redford "The Milagro Beanfield War" ambientado no Novo México, meu estado-natal. Sonia interpretou Ruby Archuleta, uma brilhante ativista que luta pelas pessoas da cidade. Lembro-me de como ela era gentil e calorosa - e seu cabelo! Ela tinha um cabelo lindo.

Falando em Sonia Braga, em mulheres latinas, você é uma das 10 mulheres latinas a ter esse investimento considerável. Qual a importância da sua posição e da sua conquista em um mercado global?

Estou orgulhosa de nossas conquistas em arrecadar dinheiro e também triste que mais latinas não sejam financiadas. Com este marco vem uma grande responsabilidade de continuar a pavimentar o caminho para outras fundadoras e latinas. O mundo não é feito apenas de homens ou apenas de homens brancos e é importante refletir a diversidade nos negócios para criar um mundo mais justo.

Como Dakota Johnson ingressou na empresa. Qual é o papel dela? O que mudou com a chegada dela? Desde quando é essa parceria?

Dakota Johnson ingressou na Maude em 2020 como co-diretora criativa e investidora. Ela trabalha em estreita colaboração com nossa equipe na direção criativa da marca e no desenvolvimento de novos produtos que incorporam a evolução da sustentabilidade e iniciativas orientadas para a missão. Juntamente com alguns lançamentos importantes este ano, iniciaremos algumas parcerias criativas – uma com o Museu do Sexo (em Nova York).

O que torna Maude diferente das outras? Qual é o segredo do sucesso?

Maude eleva a categoria de maneira bonita e inteligente, além de ser inclusiva e acessível. Vivemos e respiramos design e, em última análise, acreditamos que definir "o clima" é tanto sobre o produto e a embalagem quanto sobre os aromas que criamos, os visuais que usamos e a linguagem em que falamos. Nisso reside o nosso sucesso: o nosso compromisso de sempre fazer algo para a intimidade e o ritual.

O que você está sentindo sobre esse desafio de enviar para mais de 30 países?

Queremos poder atender a todo o público sem que nada se perca na tradução ou no trânsito. Garantir uma experiência perfeita desde o nosso site até a entrega é um esforço com 33 países!

Quais são os próximos planos?

Estamos lançando em novos mercados internacionais, novas categorias e, mais recentemente, lançamos na Sephora como uma das primeiras marcas de bem-estar sexual que eles já tiveram em seus 52 anos de história.

Que conselho você daria para as femtechs brasileiras? Porque você é uma inspiração para elas!

Acredite em você e sempre encontre maneiras de se diferenciar. É muito importante conhecer seu mercado, encontrar seu cliente e focar nele primeiro. Sem afinidade com a marca, você é apenas mais um produto na prateleira.


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Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.