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Quando agradar demais compromete a vida sexual

há 2 horas
2 min de leitura

Colocar o desejo do parceiro sempre em primeiro lugar pode transformar a intimidade em uma performance. Aprender a reconhecer as próprias vontades é essencial para uma vida sexual mais satisfatória.


Você já fingiu estar com vontade de transar para não decepcionar o parceiro? Ou aceitou uma prática sexual apenas para evitar conflitos? Essas atitudes podem revelar o chamado people pleasing, comportamento caracterizado pela necessidade excessiva de agradar os outros, mesmo à custa das próprias necessidades. Na vida sexual, esse padrão faz com que muitas mulheres se preocupem mais em corresponder às expectativas do parceiro do que em reconhecer o próprio prazer. O sexo passa a ser uma espécie de avaliação, na qual a aprovação do outro se torna mais importante do que as próprias sensações.

Com o tempo, essa dinâmica pode provocar desconexão emocional, diminuição da libido, dificuldade de atingir o orgasmo e ressentimento. Pensamentos como “será que estou fazendo tudo certo?” acabam ocupando o espaço da espontaneidade e do desejo.

O comportamento pode estar relacionado ao medo de rejeição ou abandono. Em alguns casos, a pessoa aprende desde cedo que precisa atender às expectativas alheias para se sentir amada ou segura.

Reconhecer o próprio desejo é fundamental

O primeiro passo para mudar essa dinâmica é aprender a identificar as próprias vontades e limites. A masturbação, por exemplo, pode ajudar na descoberta do prazer sem a pressão de corresponder às expectativas de outra pessoa.

A comunicação também é essencial. Expressar preferências, admitir quando não está com vontade ou conversar sobre inseguranças são atitudes que fortalecem a intimidade. O consentimento precisa ser livre e contínuo, e ninguém deve aceitar uma prática sexual por medo de decepcionar o parceiro.

Quando a dificuldade de se posicionar é persistente, a terapia com um profissional especializado em sexualidade pode ajudar a compreender esses padrões.

Uma vida sexual satisfatória não depende de ser a amante perfeita ou estar sempre disponível. O prazer também nasce da liberdade de experimentar, comunicar e reconhecer que o próprio desejo merece espaço. Afinal, intimidade não significa abrir mão de si mesma para agradar o outro.


*Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.


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