Tesão e Carnaval
- lucianeangelo
- há 34 minutos
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No Carnaval, o desejo sai do modo automático e pede presença, conversa e liberdade. Entre fantasias, beijos e escolhas conscientes, o tesão vira linguagem do corpo, do afeto e do respeito.

Carnaval é quando a cidade muda de ritmo e a gente também. O corpo pede rua, música, suor, riso solto. E o tesão? Ah, ele fica mais alto que o som do trio elétrico. Não é só sobre beijo na boca ou pegação desenfreada (embora, sim, também seja). É sobre desejo em movimento, sobre se permitir sentir com o outro, consigo mesma, com o agora.
Nos relacionamentos, o Carnaval funciona como um espelho sem filtro. Casais que dançam juntos descobrem novos jeitos de se olhar. Às vezes, a fantasia vira convite: brincar de ser quem não se é no resto do ano reacende faíscas adormecidas. Outras vezes, o desejo pede conversa franca, combinados claros, respeito aos limites. Tesão de verdade não nasce da obrigação, nasce da escolha.
Para quem está solteira, o Carnaval pode ser libertador. O flerte é mais leve, o “não” dói menos, o “sim” vem com riso. Não precisa prometer futuro para viver o presente. Beijar porque deu vontade, dançar porque o corpo pediu, ir embora sozinha porque quis. Autonomia também é afrodisíaca.
Mas vale lembrar: tesão sem cuidado vira ressaca emocional. Consentimento é a regra de ouro, proteção é item de fantasia obrigatório e ouvir a própria intuição é mais importante do que seguir o bloco dos outros. O desejo mais bonito é aquele que não atropela nem a si, nem ninguém.
No fim, Carnaval passa, mas o que a gente aprende sobre desejo fica. Que tesão não é excesso: é presença. É estar inteira no próprio corpo, rindo alto, suando brilho, escolhendo com quem e como compartilhar a festa. Porque relacionamento bom, seja de uma noite ou de uma vida, é aquele que começa no respeito e termina com vontade de mais.
*Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.



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