Queremos todas ser Samantha!

Atualizado: há 5 dias


A série Sex and the City volta repaginada com a ausência da mais autêntica “mulherão da porra”.



As amantes de Sex and the City dos anos 2000 viveram um certa nostalgia esta semana ao saberem do retorno da série agora em 2021. Filminhos passaram por nossas cabeças revivendo cenas hilárias e marcantes. Toda segunda-feira eu assistia Carrie e suas amigas durante o fechamento dentro da redação. Na época, trabalhava para uma revista semanal e sempre às segundas ficávamos até bem tarde no trabalho. A nossa diversão do dia era ter aquele tempinho precioso e prazeroso no meio da loucura.

E acreditem: os nossos chefes percebiam que nós, meninas, gostávamos tanto daquilo que não ficavam bravos quando cinco girls paravam uma horinha e não piscavam em frente à tv. Lembro que a maioria sempre preferiu a Carrie e seu guarda-roupa fashion. Eu, com uns 20 e poucos anos, já adorava a Samantha, mulher abusada, sexy, livre. Eu não entendia muito bem por que eu achava a Carrie chata, princesa além da conta, e era encantada por aquela relações-públicas potente.

Mas, quando me percebi triste ao saber que a Kim Cattrall (Samantha) não participaria desse novo trabalho, vi o quanto o papel dela era importante. Na primeira versão da série nós mal falávamos em feminismo, em direitos das mulheres, em relacionamentos tóxicos e sim ainda aquela ladainha do príncipe encantado. Talvez, por isso, a Carrie tinha tanta importância com a sua história junto ao Big. E ali estava Samantha, plena, bem-sucedida, transando com quem quisesse, vivendo dramas e prazeres.

Um turbilhão de histórias: usava sex toys, teve câncer no meio da trama, falava sobre suas noites ardentes, sobre seus desamores porque, sim, ela também tinha sentimentos e se envolvia, mas sua liberdade e autoestima eram mais potentes do que qualquer amor alheio.

Se pensarmos em todas as características de Samantha, hoje ela é quem deveria ser a protagonista e dar conselhos a Carrie em como ser uma mulher completa, mais realizada, a não ter relacionamentos abusivos, a ser uma mulher mais plena.

Sentirei sua falta, Samantha, nesta nova versão. Foi com você que comecei a olhar mais para as minhas vontades sexuais, a sentir que essa liberdade é algo a se conquistar diariamente, a me ver mais como mulher dona de meus prazeres. E só percebi tudo isso agora… que foi você quem deu o start para todo esse turbilhão em mim….Ah, Samantha! Hoje seria sua amiga fácil!


Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.

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