Conheça a OSADA: Carnaval com muito brilho nos mamilos!


Roberta Ferro Rodrigues, ou melhor, OSADA, como quer ser chamada, é a criadora dos pasties (tapa-mamilos) mais divertidos do Carnaval. Em 2016, a carioca entrou para o mundo das lantejoulas deixando as mulheres ainda mais poderosas. Nessa conversa que tive com ela, contou sobre a criação da marca Osada, sobre seus clientes, curiosidades sobre a arte do pastie, e até como colocar um par perfeitamente, sem deixar cair. Uma dica importante: use sempre cola para pele e nunca Super Bonder (como muitos ainda usam)!


Como começou?

Sempre fiz minhas fantasias para o Carnaval. Em 2016 estava sem dinheiro e resolvi ver o que tinha em casa de material, nem saí para comprar nada. Achei algumas lantejoulas e lembrei que 10 anos atrás havia criado "pasties" para umas amigas que foram para um Burning Man. Ali fiz um par pra mim e logo pensei “puxa, podia vender isso, hein?” Como sou autônoma, não recebo durante as férias, a Osada me mantém nas férias dos meus alunos (ela é pedagoga). É difícil ter dois trabalhos tão diferentes, mas a Osada me faz desenvolver meu lado "adulto" o que não tem espaço no meu trabalho com as crianças.


Quem deu o nome?

Logo que eu postei uma Osada no Insta, uma amiga publicitária comentou: “Miga, sua Osada.” Eu amei a palavra e logo desenhei a marca, com um pontinho no centro da letra “O” pra lembrar um peito. Eu desenho muito também então penso sempre em imagens. A fonte foi inspiração das marcas de dois amigos queridos "O Grito" e a "Wymann".


Quem são suas clientes?

Meus clientes representam toda essa linda diversidade desse mundão: mulheres, homens, trans, drags, jovens, e pessoas mais maduras, da minha idade também (ela tem 44 anos). A OSADIA é pra todes e quero que continue assim.




Já sofreu algum preconceito com este trabalho? Se sofreu, descreva uma situação?

Considero o tapa-teta como um brinquedo. (cunhei essa palavra porque não tinha em português) porque quando a pessoa veste, desanda a rir na hora. É um jeito muito fácil de brincar com seu próprio corpo. Por outro lado, ele fetichiza o seio porque esconde justamente o que a pessoa deseja ver. Eu nunca sofri preconceito porque eu acho que muitos homens se assustam e tem um certo medinho. Mas sempre me preocupo ao sair e não dou mole no Carnaval. Sempre levo um casaquinho, ou algo pra me cobrir no transporte entre um rolê e outro. O preconceito existe sim, mas é na cabeça das pessoas. Tem MUITA gente que diz: "Não tenho coragem pra isso", "Não vou saber rodar", "Meu peito é pequeno demais" ou "Meu peito é muito grande." Isso já melhorou muito de 2016 pra cá, mas ainda há muito para conquistar. A Osadia é difícil mas uma vez conquistada, muito libertadora.

Quais os projetos pra marca?

Meu projeto é dominar o mundo, é claro! Pisciana, né? Antes da Osada tinha muitas artistas burlescas aqui no Brasil fazendo, como a Miss G, por exemplo, mas ninguém tinha pensado nisso para o Carnaval. Era um lance bem de nicho. Agora tem varias outras marcas, o que me deixa muito feliz. Ainda rola muita cópia direto do Pinterest, mas eu acredito que, aos poucos, as pessoas vão criando uma ética e desenvolvendo sua personalidade como autores de sua história. Esse ano, a Osada está indo mais longe, vendendo em Recife, Belo Horizonte, Brasília e São Paulo, mas é claro que eu desejo OSADIA pra todos os Estados desse Brasil. Meu sonho é ter minha criatividade respeitada e fazer cada vez mais parcerias com marcas que complementam o tapa-tetas, como foi no caso da Cisô, ou como é com as meninas do burlesco, mais especificamente a Delirious Fênix e o Teatro Rival, que me dão espaço durante o ano todo. A galera do pole dancing também tem sido fantástica - Andrea Costa e a Ju Natal.


Tem alguma novidade para o Carnaval?

Sim! Muitas! Meu plano sempre foi explorar os formatos básicos primeiro - o tradicional redondo com pingente, com uma ou mais cores, a estrela, o coração…para depois chegar nos tapa-tetas de pedras muito mais caros e eu quero que todos tenham um. Então, por enquanto, vou ficar com a lantejoula. Eu acho que os pasties de ícone são fofos (gatinho, folha de maconha, etc.) mas prendem um pouco. Uma Osada tradicional você pode usar em varias fantasias e também ao longo do ano, numa festa, com o seu amor. Mesmo assim, esse ano a Osada lançou um gatinho preto, a Calavera (homenagem ao Dia de los Murtos no México), um paz e amor, a orquídea e tem também o formato de concha - que aliás entrou pro The Pastie Project (pesquisa fundamental de uma americana que cataloga pasties mundo afora). Ainda tenho dois formatos surpresa pro Carnaval, mas já já eles aparecem no @seja_osada.




Quanto custa em media um item?

O preço varia de acordo com um monte de fatores, mas tem Osada pra todos os bolsos - de R$25 a R$70 . Depende do preço da lantejoula, a quantidade de listras, o tipo de cola. Entre comprar o material e você receber o par em casa, uma Osada consome em média três horas. O melhor é saber que estou empregando mulheres talentosíssimas, que precisam muito e só tem o próprio corpo como ferramenta de trabalho.


Como colocar o acessório no mamilo?

O "pastie" chama assim nos Estados Unidos por causa da cola. “Paste” é colar em uma superfície, diferente de “glue” que pode ser colar um pedaço de alguma coisa em outra. Milhares de dançarinas e artistas circenses tentaram criar diferentes versões disso, mas só pegou mesmo quando alguém usou “spirit glue” que é uma cola muito usada em próteses de maquiagem. Os americanos registram mais essas coisas, e dizem que a primeira foi uma artista de circo na feira de Chicago, em 1893. Depois veio a Carrie Finnell que foi quem botou a cordinha e começou com esse lance de rodar. A cola que eu uso (e é vendida junto com o pastie) é própria pra pele e muito forte, mas ainda é importada. Ninguém no Brasil produz. No inverno prefiro usar cola de à prova d'água, ou os adesivos da That Girl, que vende em muitas farmácias e custa menos que a cola que eu vendo. O lance é que no Carnaval a gente sua demais e tem também muita gente esbarrando, então depende do seu nível de “jogação”. As minhas nunca caíram. O importante é estar com a teta bem seca e limpinha na hora de botar. Eu sempre recomendo levar uma canga, lenço, biquíni, até pra você ficar mais tranquila à caminho do rolê. Na hora de tirar é só puxar com cuidado pelas bordas. Muita gente diz que cola com super bonder, o que é muito perigoso. Fita dupla-face também. A pele do peito é muito sensível. Pode dar uma alergia horrível! Não façam! Seguindo essas recomendações, você pode brincar a vontade, mas se ele cair, finge demência e grita "FREE THE NIPPLE", e trata de salvar sua Osada de ser pisoteada no bloco. :-)


Vi que vc estava com as meninas do burlesque. É difícil fazer o giro?

Sim, as meninas do burlesco são a minha grande inspiração, principalmente do Burlesco Brasileiro. Gente que tira a roupa por puro prazer sempre terá o meu respeito. Não é difícil rodar, não. Tem vários tutoriais na internet. Basicamente, você quer gerar momentum com o seu peito. É isso que vai fazer ele girar. Com a mão na cintura, e colocando o peso do corpo na ponta dos pés, você vai "quicar" pra cima e pra baixo. Quanto mais peito você tiver, mais fácil fica. Pra mim que tenho um peito minúsculo é mais difícil, mas quando rola é uma alegria só.


Como encontrar seus produtos?

Na loja online: www.sejaosada.com.


Fotos: Carol Azevedo

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