O amor está em baixa no Oscar


Cada vez mais questões sociais e histórias de vida que fogem do “felizes para sempre” ganham destaque na mais tradicional premiação do cinema.



Quando pensei em escrever algo sobre cinema, de imediato fui na temática que me é mais usual: amor & sexo. Mas, ao pesquisar, percebi que essa duplinha anda um pouco esquecida nos tapetes vermelhos. As causas sociais e dramas profundos ganham cada vez mais força na academia de cinema.

Não à toa, o coreano “Parasita”, que tratou de forma única a injustiça social, foi o grande vencedor no ano passado. E, agora em 2021, "Nomadland" mostra um recorte da devastação deixada pela crise econômica de 2008, na figura de uma mulher, personagem brilhantemente interpretada por Frances McDormand (na foto acima).

Os famosos filmes no estilo "Titanic" e "Shakespeare in Love" foram cedendo espaço para histórias mais verdadeiras, relações mais reais e o também final delas como em “História de um Casamento”, produção que também levou várias estatuetas ao retratar uma separação e suas complicações, em 2020.

Sim, a fantasia e amor lúdico são bonitos de se ver na tela. Mas o público e os estúdios já perceberam que é mais belo ainda contar histórias reais e suas nuances, suas derrotas e vitórias do dia a dia. Hoje os filmes que retratam relações e dramas pessoais têm muito mais cuidado na construção psicológica do personagem, puxando fatores psicanalíticos, de gênero e construção social.

O público não se convence mais com o “felizes para sempre” porque sabem que a vida é feita de altos e baixos, de problemas e soluções. E o cinema tornou-se, em vários momentos, um espaço de terapia coletiva onde o espectador pode encontrar alguns ingredientes e “conselhos” que o faça olhar de uma nova forma para seu casamento, suas amizades, seu trabalho, enfim, sua vida…

Amor & sexo são sempre bem-vindos em filmes, claro. Mas até estes dois temas clichês agora estão vindo de forma mais informativa, crítica e analítica. A vida nos filmes não precisa ser cor-de-rosa, ela pode ser um arco-íris com infinitas possibilidades.


Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.