Cenas de um casamento: As nuances de uma relação


A nova série da HBO levanta questões sobre casamentos e suas crises. As pessoas evoluem, se transformam e as relações também.


Não sou casada nem tenho filhos, mas me identifiquei com os diálogos à medida que eles vão mostrando como as relações não são lineares. Não necessariamente elas têm começo, meio e fim, nesta ordem. Podem ter vários inícios, por exemplo, pois as pessoas se transformam, evoluem ao longo do convívio e, principalmente, ao longo de sua existência.

Uma relação está diretamente ligada a processos de autoconhecimento. E a série “Cenas de Um Casamento”, da HBO, mostra essa reflexão. Os personagens densos e muito bem vividos por Jessica Chastain e Oscar Isaac constroem ao longo da narrativa um processo de solitude de autoconhecimento, mesmo tendo um par ao seu lado. E isso não é ruim, ao contrário. Faz bem para a relação embora, muitas vezes, leva-se para o fim tradicional. O que vale é a pessoa começar a se enxergar da forma mais verdadeira, individual, entendendo quem ela é e o que quer, mesmo a pressão social dizendo o contrário.

Quantos relacionamentos são construídos pelo bem da sociedade e família, esquecendo-se das pessoas envolvidas? A maioria. Quanto mais você se conhece, mais tremor é gerado nos pilares da definição de “um casamento perfeito” mas, por outro lado, você se fortalece como indivíduo sabendo exatamente o que deseja.

Se as pessoas vão evoluindo e se transformando durante os anos, por que as relações não se transformariam? Por isso as chamadas DRs construtivas são necessárias. Assim os ajustes na dinâmica do casal vão sendo feitos de forma gradual, de acordo com o momento de vida dos dois. Um ponto final pode ser colocado no que não serve mais para um novo início ser criado mesmo dentro de um casamento.

Diálogo, diálogo, diálogo... é a melhor terapia para qualquer casal e exatamente o que você assistirá nesta série. Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.