A vez dos absorventes sustentáveis

Atualizado: 27 de jul.

Marcas lideradas por mulheres apresentam produtos orgânicos e novas soluções para o mercado menstrual


Você sabia que um absorvente demora mais de 400 anos para se decompor? Ou seja, todos os absorventes já fabricados no mundo ainda estão pelo planeta, pois este produto começou a ganhar força de produção por volta dos anos 1920, após a Primeira Guerra Mundial.

Pense rapidamente a quantidade de absorvente que já usou...então, imagine agora quase todas as mulheres do planeta nos últimos 100 anos...

Novas marcas lideradas por mulheres estão surgindo no mercado menstrual para reduzir este tempo de decomposição, no geral, em seis anos o produto destas novas brands será absorvido (sim, de 400 anos para 6 meses!), além de muito mais conforto e saúde para quem tem vulva e vagina.


Amai, Nua, Ecociclo, entre outras, que surgiram durante a pandemia, trazem como aliados a tecnologia e elementos encontrados na natureza para compor o absorvente orgânico, hipoalergênico, antibacteriano, biodegradável, compostável e sem componentes tóxicos.

Além dos "ingredientes", o formato e espessura são parecidos entre as marcas. "A mulher brasileira está acostumada ao absorvente grosso, mas desenvolvemos um de fibra de bambu ultrafino, que não entra no bumbum e segura a menstruação", explica Isabelle Parik, fundadora da Nua, ao lado de Clara Ibiri. A marca possui um sistema de assinatura e você pode escolher para receber em casa quantos absorventes, o tipo que deseja - regular ou noturno - e também a periodicidade. Nua possui um trabalho social e doa absorventes a cada compra para o Projeto Luna.

Já a Amai escolheu o algodão orgânico para ser o material central do absorvente, além do bioplástico ser à base de amido de milho. Durante a pesquisa para o desenvolvimento do produto, as mulheres revelaram que desejavam mais conforto, não sentir o molhado que um absorvente comum traz, algo para não vazar e não sentir coceira na virilha. "A queixa do molhado apareceu muitas vezes. O plástico usado nos absorventes comuns repele a água, por isso, a mulher se sente molhada. O algodão orgânico absorve, além de eliminar as coceiras e alergias", conta Erika Tomihama, fundadora da Amai, ao lado de Luri Minami. A marca trabalha também com assinaturas e compras unitárias, além de doar 1% das vendas ao projeto Fluxo Sem Tabu.

E o mercado tende a expandir. Outra marca que está chegando é a Ecociclo, com a pré-venda dos absorventes de fibra natural já iniciada. A diferença da Eco para as outras femtechs é que a cadeia de produção é toda brasileira, gerando, assim, renda para as mulheres daqui. "Nosso modelo de negócios é voltado 100% para as mulheres. Além disso, temos um marketplace para divulgar o trabalho de artesãs e mini empreendedoras", conta Patricia Zanella, uma das fundadoras.

A tecnologia alia-se às necessidades das pessoas com vulva e vagina e a nossa saúde agradece. LEIA MAIS:

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Texto originalmente publicado para o site da Vogue Brasil.